quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Chão de Giz.

De onde estava, vi passar uma menina. 

Fone nos ouvidos, all star nos pés, cabisbaixa, olhar angustiado, ouvia Chão de Giz e pensava nela. Porque tinha que amá-la, se perguntava.  Eu sabia o que ela era, o que sentia, por quem sentia.  Amor não correspondido, essa dor estava estampada em sua face.  

Senti empatia por aquela garota. Sabia muito bem o que era amar e não ser amada de volta. E enquanto Zé Ramalho cantava Pra sempre fui acorrentado no seu calcanhar, vi seus olhos encherem-se de lágrimas. Quis correr e abraçá-la. Não chore, eu diria, um dia alguém vai te amar. 

Por um segundo estranho, quis ser mãe dela. Nada melhor que colo de mãe. Quase chorei também, sentia falta do abraço alvo e macio de minha mãe, do abraço queimado de sol e forte de meu pai, do abraço pequeno e acolhedor de minha irmã.

Ela parou e sentou-se ao lado de um amigo, num banco. Guardou os fones, eles começaram a conversar, brincar, rir. Vi a angústia sumir pouco a pouco dos seus olhos. E me perguntei se o amor e a dor que eu vira eram reais. Provavelmente sim, não se é triste toda hora, o sorriso também tem espaço na vida. 

Um pássaro de peito amarelo passou voando e pousou numa das jovens árvores magrelas que haviam ao redor. Observei-o e abstraí. 

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