Sentada no chão, olha para o teclado e pensa. Lembra de quando era pequena, sua mãe ensinando-lhe a datilografar.
Era tão incrível aquele primeiro contato com a máquina, a força aplicada nos dedos para parir cada letra, sujar as mãos de tinta quando a fita enroscava nos milhares de ganchinhos que eram impressos no papel. Apoiava os cotovelos na mesa e mexia nos ganchos, tentando entender como funcionava aquela coisa que a fascinava.
Então a mãe lhe ensinou a usar as mãos, dizendo: "Datilografar é uma arte. Não há como apertar o delete do teclado do computador e re-escrever mil vezes aquilo se erra." Quase que como na vida: uma vez feito, não há como voltar atrás.
O barulho das teclas, o sol da tarde entrando pela grande janela de madeira da cozinha, no sítio... sua infância, seu cachorro, seus gatos, as brincadeiras com a irmã e a prima, os churrascos de fim de tarde... Então ela acordou do devaneio. Quinze anos na cara, sonhando com uma máquina de datilografar?
O computador ajuda, mas nunca substituirá o calor da máquina de escrever e a magia de datilografar.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Teu Olhar.
Queria poder te fazer enxergar, ver o quanto eu te amo. Mas é tão pouco tempo... E eu sei que não vai ser. Não há como ser.
É impossível, começando do ponto que nem sei se você pode (leia-se: quer), passando pelo ínfimo tempo que temos, pelo ciúme desnecessário que sinto (pela primeira vez na vida) e pelo fato de existirem tantas melhores do que eu.
Quem me dera que você visse... O quanto somos iguais, como finalmente eu me sinto boa o suficiente pra alguém, e esse alguém é você. Nunca achei que já havia amado, nem sei se isso é amor; talvez no futuro eu ria, tendo lá o conhecimento de que apenas gostava de você.
Mas se não for amor, não pode ser algo muito menor. Eu acordo de manhã e a primeira pessoa que me vem à cabeça é você; eu fecho os olhos e é sua imagem que vem no escuro de minhas pálpebras; é impossível lembrar do teu sorriso e não sorrir; é impossível não tremer sob o teu olhar, esse olhar que parece entender o que se passa dentro de mim.
Porém tenho medo, no fundo eu temo. Temo porque tenho esperança de que você também me ame, mesmo sabendo que não devo, porque no fim eu sempre acabo sofrendo. Mas já aprendi a seguir em frente.
Mesmo sentindo que amo pela primeira vez, mesmo que nada aconteça, eu vou seguir em frente. Você sempre vai ser uma pessoa importantíssima na minha vida. Vou sentir muita falta, vou chorar, vou sofrer, porque vai doer. Eu sei que vai. Apesar disso tudo, continuo querendo poder te falar pra te fazer ver.
Um dia quem sabe. Um dia...
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