Sentada no chão, olha para o teclado e pensa. Lembra de quando era pequena, sua mãe ensinando-lhe a datilografar.
Era tão incrível aquele primeiro contato com a máquina, a força aplicada nos dedos para parir cada letra, sujar as mãos de tinta quando a fita enroscava nos milhares de ganchinhos que eram impressos no papel. Apoiava os cotovelos na mesa e mexia nos ganchos, tentando entender como funcionava aquela coisa que a fascinava.
Então a mãe lhe ensinou a usar as mãos, dizendo: "Datilografar é uma arte. Não há como apertar o delete do teclado do computador e re-escrever mil vezes aquilo se erra." Quase que como na vida: uma vez feito, não há como voltar atrás.
O barulho das teclas, o sol da tarde entrando pela grande janela de madeira da cozinha, no sítio... sua infância, seu cachorro, seus gatos, as brincadeiras com a irmã e a prima, os churrascos de fim de tarde... Então ela acordou do devaneio. Quinze anos na cara, sonhando com uma máquina de datilografar?
O computador ajuda, mas nunca substituirá o calor da máquina de escrever e a magia de datilografar.