sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Voando Como Uma Coruja.

Estou sentada aqui no corredor do prédio onde moro, tentando colocar para fora o que tenho que escrever. Diabos, eu gosto de escrever, mas que coisa difícil! Parece que, quando mais se precisa, simplesmente não vem. Até tive algumas ideias, mas não consegui desenvolver isso numa crônica.

Agora vejo as pessoas entrando em seus quartos, comendo na copa, conversando. Algo que soa como uma cigarra canta agora em algum lugar do andar. Posso ouvi-la muito bem, mesmo com o fone de ouvido. Nunca vi uma cigarra aqui na escola, mas havia tantas no sítio da minha família... Sempre que ouvia uma, ia atrás do som, tentando encontrar aquele pequeno ser e vê-lo sair e voar. Que eu lembre, nunca consegui esse feito.

Sinto esse texto como uma cigarra, mais uma daquelas que nunca verei sair e voar. Mas... já que cigarras não existem aqui na escola, talvez ele possa ser outro animal. Por exemplo, um casal de corujas que vi sair de um buraco no chão num domingo desses. Eram lindas, pequenas e marrons. Primeiro pareciam apreensivas, mas depois voaram alto sob a luz do pôr-do-sol.

Será que é assim também conosco, alunos? Chegamos meio desnorteados e sonolentos, e logo somos acordados por uma espécie de simulação da vida real, que se desenrola em frente a nós. Depois que o sono passa e o medo se vai pouco a pouco conseguimos decidir nossos nortes, levantamos a cabeça e alçamos voo, tão belos aos olhos de quem vê quanto aquelas corujas o eram para mim.

Acho que, finalmente, o texto conseguiu sair do chão. Talvez não com majestade de uma experiente coruja ao pôr-do-sol, mas, pelo menos, com a trêmula confiança de um filhote que se lança para o vazio desconhecido pela primeira vez.

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